Qual a contribuição da saúde pública para idosos?

Se a iniciativa privada e o Poder Público se unirem, que benefícios a saúde pública para idosos pode receber?

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O Brasil precisa investir mais em saúde pública para idosos.

Em razão do aumento da população idosa, o país se vê constrangido a investimentos de maior vulto por parte das esferas públicas e privadas, em programas que tenham por objetivo superar carências e fragilidades desse segmento etário.

Estudos que abordam cientificamente tópicos de relevância para essa população podem apresentar desdobramentos com impacto positivo para essa população.

O idoso com qualquer comprometimento exige cuidados para a manutenção da qualidade de vida diária.

A pessoa, quando acometida por qualquer problema de saúde, pode apresentar sequelas preocupantes, que não englobam apenas comprometimentos de natureza física, mas também de natureza neurológica ou mesmo mental.

A criação de políticas públicas de saúde pública para idosos pretende:

  • Priorizar a revalorização do idoso;
  • Compreender melhorias para a qualidade de vida;
  • Garantir a ele um bom nível da assistência à saúde, com a consciência de seus reais direitos.

Segundo Sayeg (1998), as políticas de saúde pública para idosos devem visar a manter o idoso como cidadão participativo e ativo, sendo necessária a intervenção nos meios primários para a manutenção da saúde pessoal, da família e da comunidade.

Como a Enfermagem Pode Ajudar em Uma Estratégia de Saúde Pública Para Idosos?

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O papel da enfermagem no processo do envelhecimento e na velhice deve ser feito sob o prisma de duas abordagens: quanto ao preparo dos profissionais e quanto à formação gerontológica da comunidade.

A qualificação dos profissionais de saúde exige uma reestruturação curricular, abrangendo a gerontologia e geriatria, preparando o profissional para a assistência preventiva, como também a possível assistência curativa da população idosa.

Isso exige a adequação das escolas profissionalizantes e das universidades em promover uma formação educacional, enfatizando o processo do envelhecimento.

É necessário capacitar os profissionais no planejamento e assistência à pessoa idosa, ajudando-os a adaptarem-se às transformações biopsicossociais e de superação dos obstáculos e das perdas.

Sobre isso, Nascimento et al. (2000) refere sobre

“…a necessidade das universidades investirem em cursos de especialização e pesquisas aprofundadas sobre os assuntos que possam ajudar na saúde pública para idosos, estimulando a criação de serviços alternativos de atendimento, como também de outros tipos de incentivos.”

A enfermagem pode exercer um papel relevante na prestação de orientações sobre promoção da qualidade de vida não só na assistência, mas especialmente na prevenção, sendo orientações necessárias para garantir a promoção da autonomia, manutenção da saúde pública para idosos, qualidade de vida e sociabilização dos idosos.

Quanto à educação na comunidade, ela deve ser trabalhada de forma abrangente, investindo nos indivíduos ao longo de todo o ciclo de vida. Sobre isso, pode-se citar Palma (2000) ao referir que, tanto em nível educacional como no de saúde, as medidas para uma futura velhice saudável devem decorrer desde a infância.

Muitos familiares pensam que seu idoso de casa tenha mudado de personalidade desde que envelheceu; só pelo fato de ser “velho” já se tornou “bonzinho”.

A ciência gerontológica, porém mostra que embora uma pessoa reconfigure sua personalidade e sua identidade, no decorrer da vida, nem por isso se torna uma pessoa, agora na velhice, melhor do que o foi na juventude ou na idade adulta.

Então, o profissional de saúde deve desenvolver, em meio à comunidade, uma práxis educacional que vise a priorizar um bom convívio social entre todas as faixas etárias, estimulando a convivência em família, com vizinhos e amigos, para que a sociabilidade do idoso com as outras pessoas nunca deixe de existir.

A autonomia de um idoso deve ser considerada como um “pilar fundamental na manutenção de sua qualidade de vida”.

A Valorização do Idoso Enquanto Cidadão

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A valorização da velhice também deve ser feita, justamente por ser o período de uma vida pleno de mais experiências e maturidade para compreender e saber lidar com circunstâncias não vividas por outros de menor idade (Vieira, 1996).

Como na maioria das vezes, a sociedade vê o idoso de forma preconceituosa e associa o termo “velho” a algo ruim, deve-se priorizar o trabalho de valorização da velhice, fazendo com que a própria atitude do idoso mude, ou seja, de não se considerar suscetível a novos projetos de vida, tal qual um jovem se sente motivado (Borba, 2002).

A enfermagem, na medida em que compreende as alterações biopsicossociais que ocorrem ao longo do envelhecimento, tem a possibilidade de se aproximar desse universo, o que poderá ajudá-la em sua atuação como profissão, amenizando dificuldades e iatrogenias e colaborando para que o idoso se adapte melhor a sua realidade e não deixe de exercer sua cidadania.

Em seu curso de vida, mesmo tendo família e amigos para ajudar o idoso, na recuperação de sua autonomia e independência apesar dos comprometimentos, ainda é necessário que se criem meios para uma melhoria na qualidade de vida manifesta no desempenho das atividades diárias, e para enfrentar, com resiliência, as incertezas do cotidiano.

Os profissionais de saúde precisam ser pessoas ativas, na verdade agentes de mudanças, capazes de ajudar os idosos a encarar, com serenidade e compreensão, sua fragilidade e vulnerabilidade.

É preciso que procurem investir nas relações interpessoais e familiares, justamente para os idosos não se sentirem desvalorizados e excluídos; é preciso que suas opiniões sejam ouvidas e reconhecidas, porque elas são tributárias à sabedoria que eles foram adquirindo no decorrer das muitas décadas de vida…

A Sociedade e os Idosos: Uma Relação Conturbada

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Quando em família, mesmo se bem-cuidados, via de regra os idosos ficam alojados em um espaço da casa com a pretensa alegação de que ali não incomodam os demais membros.

Os idosos não deixam, entretanto de se sentirem excluídos na família, o que pode acarretar-lhes estados de tristeza ou depressão – o caminho quase inevitável para doenças irreversíveis.

Por meio da sensibilização da população para a demanda de qualidade de vida aos idosos, hoje, tão fragilizados e sem autonomia, é que nos colocamos para a sociedade: assim, devemos respeitar o idoso na sua totalidade, pois, um dia, já fomos indefesos e alguém nos acolheu, nos ensinou a andar, comer, e nos proporcionou valores humanos.

Procuremos nos agarrar aos adultos à nossa volta, seja eles pai, mãe, tio, irmãos, vô ou vó. Muitas crianças nos dias de hoje, quando crescem começam a ficar com vergonha dos seus familiares, excluindo-os, apenas porque estes mostram os sinais da velhice.

Não se pode generalizar, mas a maioria dos idosos, principalmente os que apresentam limitações, que estão acometidos por doenças ou pelo declínio funcional, não recebem o apoio necessário.

Posso testemunhar tal fato, porque trabalho com idosos em clínica médica e observo, via de regra, a falta de um acompanhante adulto, e quando este está presente, muitas vezes são idosos com quase a mesma idade do paciente.

Também falta a presença de familiares nas visitas, além da dificuldade observada, ao levar esses idosos para suas residências quando recebem alta, e passam a enfrentar os próprios conflitos familiares.

Para evitar isso, a família deve ter um arranjo forte, equilibrado, sendo a fonte de segurança do seu idoso, que a ela busca para ajudá-lo a suprir suas necessidades.

É preciso que o ambiente familiar, ou um lar para idosos, seja um lugar de acolhimento, onde esse idoso se sinta útil, ou seja, um ser importante que ainda faça parte da sociedade e recupere a satisfação de viver, pois ele ainda é capaz de amar e relacionar-se como um ser social.

Os limites a que estão submetidos esses idosos, provocam incertezas, receios e impotência diante de fatos do cotidiano, e como discorre Edgar Morin, um cotidiano que carece de investigação.

Conclusão

Diante da forma como a sociedade caminha, a saúde dos idosos pode piorar. Por isso, nós, profissionais da saúde devemos estar preparados para fazer o melhor por essas pessoas.

Compartilhe se concorda comigo e caso discorde, deixe seu comentário abaixo.

Abraço.

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